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Direto da Fest Comix #4

Fonte: Em Solo Nacional em 25/07/2015
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Pessoas, meu plano era fazer um post sobre a Fest Comix por dia, começando segunda e finalizando hoje. Infelizmente, ontem não pude honrar o compromisso, então dou sequência hoje e finalizo amanhã. Hoje tem Mike Deodato Jr., Eduardo Damasceno e Luís Felipe Garrocho, Felipe Nunes, Murilo Martins e Marcello Quintanilha!

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Mike Deodato Jr.

(‘Quadros’, ‘3000 Anos Depois’)

Mike Deodato Jr. autografando '3000 Anos Depois'

Mike Deodato Jr. autografando ‘3000 Anos Depois’

Você lançou ‘Quadros’, pela Editora Mino, somente com histórias autorais. Qual é a importância pessoal disso?

Caramba, é essencial. São coisas que eu estava querendo botar para fora e nunca tinha oportunidade. Eu sempre esperava um dia que eu estivesse com menos trabalho da Marvel, mais tranquilo, mas nunca acontecia. Finalmente, decidi fazer do jeito que dava. Coloquei na internet, sem editora, sem nada, para ver o que ia acontecer. Eu me senti muito bem. Aí, apareceu a Editora Mino querendo publicar e foi perfeito. Juntou o amor que eu tenho pelos quadrinhos com o amor que eles têm por editar e publicar. Foi a combinação perfeita! Eu tive muita sorte.

Existe também uma vontade de participar dessa nova movimentação do cenário brasileiro de HQs?

É inveja, mesmo (risos). Eu ficava vendo os caras publicando e me dava uma inveja do caramba, porque eu comecei fazendo quadrinho independente e autoral. Então, tem um lance de voltar a essa escola antiga. Ainda gosto de super-herói, mas não dá para expressar o que tem de mais profundo em mim. Agora, acho que consegui. Vamos ver como vai ser a recepção de ‘Quadros’, mas planejo lançar mais coisas.

Eduardo Damasceno e Luís Felipe Garrocho

(‘Achados e Perdidos’, ‘Cosmonauta Cosmo’ e ‘Bidu – Caminhos’)

Eduardo Damasceno (esquerda), conversando com Lu Cafaggi (centro). Ao fundo, Vitor Cafaggi

Eduardo Damasceno (esquerda), conversando com Lu Cafaggi (centro). Ao fundo, Vitor Cafaggi

Vocês ainda não podem dar muitos detalhes sobre a próxima história que vão lançar, mas o Garrocho me disse que será para um público mais adulto. ‘Cosmonauta Cosmo’ foi mais infantil; ‘Bidu – Caminhos’, infanto-juvenil. Existe uma intenção de conversar com todos os públicos?

Garrocho: É a nossa velocidade natural de evolução (risos). A gente sempre quer conversar com públicos de formas variadas. Em ‘Cosmonauta Cosmo’, tentamos fazer um trabalho que não fosse exclusivo para crianças, mas algo que elas também pudessem ler. Normalmente, o que se faz em quadrinhos é limitar o público, à medida que o artista aborda determinados assuntos ou situações. Quadrinho infantil é o mais aberto, porque todo mundo consegue sacar o que está ali. Mas tem alguns assuntos que queremos abordar, que não são para criança. E não é nem a questão ‘sexo, drogas e rock’n’roll’. São questões que exigem certa vivência do leitor e gostaríamos de discutir isso também. Não estamos querendo um novo público. Gostaríamos que os marmanjos que leram ‘Cosmonauta Cosmo’ continuassem com a gente.

Mas isso é natural ou há uma busca por amadurecer as histórias e, consequentemente, o público leitor?

Damasceno: É bem natural. A gente conta as histórias que estamos com vontade de contar, mas temos uma preocupação muito grande com quem falei. Se demoramos para fazer uma coisa mais complexa é, justamente, porque estávamos refletindo sobre isso. O objetivo, realmente, é sempre contar as histórias que queremos, até porque não tem outras, né? A gente já faz quadrinhos, que não é a melhor opção de vida (risos), então vamos falar sobre coisas que vai nos divertir no processo. Mas o que nos preocupamos e buscamos muito também é divertir as pessoas que vão ler essas histórias.

Garrocho: E é importante dizer que quando falamos de histórias um pouco mais maduras, não é história adulta, bem adulta, mesmo. Só é algo que, talvez, não seja interessante para uma criança de seis anos de idade. E outra: Muitas das coisas que as pessoas falam que são para adulto, na verdade são para adolescentes.

Felipe Nunes

(‘Klaus’)

Felipe Nunes autografando 'Klaus'

Felipe Nunes autografando ‘Klaus’

Os autores mais jovens desse novo cenário brasileiros de HQs, como você, o Pedro Cobiaco e o Diego Sanchez, estão escrevendo e desenhando histórias mais intimistas. Isso é uma coisa que você vem buscando ou simplesmente acontece?

Não sei. Atualmente, gosto de pensar os meus quadrinhos como coisas que eu gostaria de ler, mas acho que tem a ver com o acúmulo de experiências que eu tenho. Eu não sei se consigo contar uma história de aventura, por exemplo, se eu não tenho uma bagagem de leitura desse gênero. Eu também não acho que tudo o que eu li na vida influencia diretamente minhas histórias, mas não porque eu busco fazer um trabalho completamente autoral. Acho, realmente, que tem mais a ver com as minhas experiências.

‘Klaus’ é uma história sobre a descoberta de uma nova fase da vida e eu passei por isso antes de pensar na trama. Não reparei isso logo que terminei de escrever, mas depois de um tempo percebi que aquilo ali aconteceu mais ou menos comigo. A história que estou fazendo agora também segue essa linha. Para mim, é sempre uma coisa meio autobiográfica, porque sempre acaba refletindo um pouco do meu acúmulo de experiências. Como somos muito novos e somos influenciados por pessoas que contam todos os tipos de histórias possíveis, acho que o que fica na cabeça é que se uma história for boa e bem contada, você não pode se impor um limite. Pode ser que daqui a anos, eu ache horrível o que eu fiz hoje, porque vão ser outras pessoas na minha vida, outras experiências.

‘Klaus’ é uma HQ com um final bem aberto. Você planeja uma continuação?

Não. Para mim, fechou. Tem gente que não gostou do final e gente que gostou muito do final. Por ser uma história sobre transição, de descobrir uma coisa, passar por essa coisa e virar uma outra pessoa, eu não quis contar uma história com um finalzinho fechado, como milhões de outras. Eu quis contar uma história do antes, não do durante. Achei mais interessante contar o começo da caminhada de uma pessoa que vai em busca de alguma coisa. Esse lance de encerrar a história com um final feliz é muito influenciado pela maneira americana de fazer cinema. Sou a favor de que o leitor decida o que aconteceu depois

Você está escrevendo e desenhando sua próxima história. Quais serão os temas, personagens e que mais você pode dizer?

Essa nova história que estou fazendo também deixa o final em aberto, mas eu fechei um ponto que era importante. É uma história sobre uma menina de seis anos que tem uma mãe ausente e é criada pela empregada. Ela não está na escola por um tempo, então fica sozinha boa parte do dia. Como não tem amigos, ela é muito carente. Tentando achar alguma coisa para se divertir, ela encontra um dodô num parque na frente da casa dela. A trama é, basicamente, sobre a amizade dos dois. Isso é só uma base do que vai acontecer. No fundo, a história é sobre a relações de amizade, carência, resiliência e sobre como você aguenta as coisas.

Murilo Martins

(‘LoveHurts’, ‘Eu Sou um Pastor Alemão’)

Murilo Martins e seu 'Eu Sou um Pastor Alemão'

Murilo Martins e seu ‘Eu Sou um Pastor Alemão’

Em 2014, você traduziu e lançou no Brasil a HQ ‘Eu Sou um Pastor Alemão’. A história vai ganhar uma continuação?

Teoricamente, tem outro livro do ‘Eu Sou um Pastor Alemão’ já pronto. O plano é lançar na Comic Com Experience [que acontece em dezembro]. Eu não consigo afirmar com certeza, mas o objetivo é esse.

Além disso, você já tem outros planos ou alguma história em mente?

O foco é o ‘Eu Sou um Pastor Alemão’. Na minha cabeça, é uma trilogia independente. Mas vamos com calma, vamos para o segundo para ver o que acontece.

Marcello Quintanilha

( ‘Sábado dos Meus Amores’, ‘Almas Públicas’, ‘Tungstênio’, ‘Talco de Vidro’)

Marcello Quintanilha no bate-papo que rolou na Gibiteria, na segunda-feira pós Fest Comix (20)

Marcello Quintanilha no bate-papo que rolou na Gibiteria, na segunda-feira pós Fest Comix (20)

Você já publicou, entre outros países, na Espanha e na França. Os gêmeos Moon e Bá já publicam nos Estados Unidos há algum tempo e, mais recentemente, na França. O Gustavo Duarte tem publicado com as editoras americanas de super-heróis… Você acha que os europeus e americanos veem quadrinhos estrangeiros como quadrinhos estrangeiros, não como só quadrinhos?

Lá fora, os quadrinhos estrangeiros nunca foram vistos como quadrinhos estrangeiros. Não sei porque se pensa isso no Brasil. Os quadrinhos brasileiros, como os de qualquer outro lugar, sempre foram vistos, simplesmente, como quadrinhos. Sempre foi assim.

Você já disse que desenhar é tão automático para você quanto dormir e comer, por exemplo. Na mesma proporção, é tão necessário quanto esses dois exemplos citados?

Sim, porque eu não sei avaliar o quanto é necessário comer ou dormir. É uma necessidade que me mantém vivo. Eu não consigo mensurar, apenas faço.


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