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[Coluna de quadrinhos] Alice Gauto usa fanzines para divulgar sua arte

Fonte: Caneta e Café em 4/08/2015
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Por Francisco Costa

Fanatic magazine ou fanzine, como são mais conhecidos, são publicações feitas por fãs sobre determinado assunto de maneira independente. Seja ficção-científica, literatura, música, ou qualquer outra coisa.

Normalmente o material é despretensioso, mas não necessariamente amador. As escolhas de formatos podem ser os mais diversos, mas é muito comum os artistas optarem por fazerem quadrinhos em seus zines.

E é essa a escolha da estudante de design Alice Gauto, de 21 anos. A quadrinista já participou do Zine XXX, organizado por Beatriz Lopes, em 2013 (um conjunto de zines de pequenas histórias em quadrinhos, produzidos exclusivamente por mulheres) e em seguida lançou dois zines individuais: o Maré#1 e Maré#2. Mais recentemente ela fez, em conjunto com seu companheiro André Almeida, o o Zine A.

Maré é um trabalho individual de Alice

Maré é um trabalho individual de Alice

Confira o que Alice tem a dizer sobre este formato de publicação:

Caneta e Café – Por que fazer fanzines?

Alice Gauto – Desde sempre gostei de ler e de publicações em geral. Comecei a fazer zines depois de descobrir que, não só existem pessoas que produzem materiais de forma independente, como existe um público pra isso, mesmo que relativamente pequeno. Esse tipo de publicação é um meio de divulgar artistas independentes, de conhecer novos colegas, novos trabalhos, criar novas referências, além de ser viável para a própria divulgação.

Caneta e Café – Quais as vantagens e desvantagens de um zine em relação a uma publicação tradicional?

Alice Gauto – ​Acho que a principal vantagem é a questão de não precisar depender de outras pessoas. Você idealiza, produz, banca, vende, outras pessoas se tornam facilitadoras/consumidoras.

Quando não é um projeto individual, você não centraliza tudo, o que pode também ser uma vantagem, já que é menos carga por pessoa.

Como principal desvantagem acredito que é a questão de divulgação. Depende completamente de você. As publicações online nunca atingiriam o mesmo público que uma editora formada atinge, por exemplo. Em feiras tem a questão de ser um número grande de publicações e não tem como um consumidor adquirir todos os exemplares de todas as bancas, então a divulgação antes do dia da feira em si também é importante.

Caneta e Café – Normalmente o artista produz o zine 100% do próprio bolso. É esse seu caso?

Alice Gauto – Sim, tirando o caso do Zine XXX, que foi um projeto financiado pelo Catarse. Todos os outros zines foram produzidos por dinheiro próprio.

Alice também publica alguns trabalhos na fan page Alica

A artista também publica alguns trabalhos na fan page Alica

Caneta e Café – A internet facilitou a divulgação dos trabalhos, mas além disso, como você leva as pessoas seu trabalho?

Alice Gauto – Sim, a internet facilita muito. Estar presente no cenário é importante. A internet faz diferença, mas você marcar presença em feiras, exposições, eventos num geral, faz bastante diferença. Costumo levar todos os meus projetos à feiras, mas é possível fazer pedido pela minha página no FACEBOOK, ou até no PERFIL PESSOAL. Algo que costumo fazer muito é trocar materiais com outros artistas independentes, o que também pode ser pedido pelo Face.

Caneta e Café – Pensa em lançar uma HQ via financiamento coletivo, ou mesmo editora?

Alice Gauto – Não acredito que seja a hora pra mim. Não só por eu ainda não ter encontrado um traço minimamente constante no meu trabalho, mas também por acreditar que ainda preciso produzir mais, desenvolver melhor a minha ilustração e, principalmente, enredo e roteiro. Mas é, com certeza, uma vontade para um futuro de médio/longo prazo!

Caneta e Café – Fale um pouco dos seus trabalhos. Quais suas inspirações para criar?

Alice Gauto – Falo sobre o que penso e o que vivo. Como mulher universitária e feminista, recebo muita influência do que vejo em aulas, mas também do que vivo em Campinas e do que ainda quero ver e fazer pelo mundo afora. Desde diálogos e acontecimentos que acontecem no meu cotidiano até sonhos que tive e acabei lembrando meses depois.

Caneta e Café – O que desenhar significa pra você?

Alice Gauto – Desenhar é um meio de expressão. Desenhava bastante quando criança, mas acabei não recebendo estímulo suficiente para continuar enquanto fui crescendo e acabei focando em outras atividades como dança e teatro. Durante a pré-adolescência e adolescência acabei seguindo muitos artistas no Fotolog e depois no Flickr, o que me estimulou a produzir, e cresceu com o tempo. Depois de começar a me relacionar e entrar em contato com artistas, principalmente artistas mulheres, me vi com grande vontade de desenvolver o meu traço e, depois, de desenvolver quadrinhos. A ilustração é um meio muito empoderador quando não se tem voz. O quadrinho passa a outro nível, em que as pessoas que consomem o seu trabalho se identificam com o que você expõe. É um meio de se abrir, isso seja bom ou ruim.

"Fazer arte é militância, e eu apoio"

“Fazer arte é militância, e eu apoio”

Caneta e Café – Quais as suas influências?

Alice Gauto – Tudo (risos). Sou muito influenciada pelas aulas de arte da faculdade, mas também por muito do que vejo pela internet, como o material da Amanda Paschoal, da própria Beatriz Lopes, da Gabi (LoveLove6), da Sirlanney (Magra de Ruim), da Brendda Costa Lima, Dayanna Lima, Anastasia Pugacheva, Julia Gomes, Amanda Andrade… Como meu traço é bastante instável, acaba que muitas coisas diferentes me influenciam. Mas principalmente o trabalho de minas. Claro que acho o trampo de caras maravilhosos demais, não tem como não admirar. Mas é com o trampo das minas que eu me identifico, elas são a minha prioridade na hora de consumir material, de divulgar, enfim. Fazer arte é militância, e eu apoio.

Caneta e Café – Trabalha em algum projeto nesse momento?

Alice Gauto – Tenho alguns projetos começados e ainda não finalizados (inclusive novas HQs) e alguns projetos que ainda estão na cabeça, que preciso pensar melhor em cima para poder produzir. Espero ter vários materiais novos em breve, pelo menos é o plano.

Caneta e Café – Gostaria de dizer mais alguma coisa?

Alice Gauto – Agradecer pelo espaço oferecido, com certeza. É um ótimo trabalho que você faz e ajuda a divulgar o trampo de artistas independentes, acho importante demais.

Francisco Costa é jornalista e fã de quadrinhos – jor.francisco.costa@gmail.com


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