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A lama de Brumadinho pode chegar ao Rio São Francisco?

Fonte: Meros do Brasil em 11/02/2019
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A lama de Brumadinho pode chegar ao Rio São Francisco?

PMB participa de monitoramento da água do São Francisco com a preocupação com a possível contaminação pelos rejeitos do rompimento de barragem em Brumadinho

Na sexta-feira, dia 25 de janeiro, o rompimento da barragem da Mina Córrego do Feijão da Vale, em Brumadinho/MG, fez com que um verdadeiro mar de rejeitos da mineração destruísse tudo que cruzava pelo caminho. A lama atingiu parte da comunidade de Vila Ferteco, causando a morte de centenas de pessoas, e seguiu para o rio Paraopebas, destruindo a biodiversidade de suas águas e ameaçando também um dos principais rios do país, o Rio São Francisco. 

A bacia hidrográfica do São Francisco, também conhecido como rio da integração nacional, engloba cinco estados: Minas Gerais, Bahia, Sergipe, Alagoas e Pernambuco, tem mais de três mil quilômetros de comprimento e é o maior rio inteiramente nacional do país, ocupando quase 10% de todo o território. Assim, mais de 500 municípios e milhares de brasileiros que vivem às suas margens sentiram, mais uma vez, a fragilidade do São Francisco diante de ameaças como o rompimento da barragem da Vale em Brumadinho.

 

Para monitorar a “saúde” do São Francisco, em Alagoas, o Projeto Observando Rios, desenvolvido há mais de três anos com o apoio da SOS Mata Atlântica, realiza mensalmente coletas para análises de parâmetros físico-químicos da água e observa a presença de resíduos sólidos, seguindo um protocolo empregado em diversas bacias hidrográficas do Brasil. Na Bacia do São Francisco, o único ponto de coleta está na cidade de Penedo, base do Projeto Meros do Brasil no estado.

Desenvolvido pela Universidade Federal de Alagoas como projeto de extensão, todos os meses a sociedade é convidada, especialmente escolas da rede pública, para acompanhar o trabalho. A coordenação das ações é feita pelo professor Dr. Claudio Sampaio “Buia”, coordenador do PMB em Alagoas, que falou um pouco de como foi recebida a notícia do rompimento da barragem em Minas Gerais:

“Por uma infeliz e trágica coincidência, o dia de coleta do mês de janeiro foi no mesmo dia do rompimento da barragem de Brumadinho. Com todo o terror que foi posto nas redes sociais, dizendo que os rejeitos alcançariam a represa de Três Marias naquele mesmo dia e poderiam chegar ao São Francisco, ficamos desesperados”. 

Em janeiro, os convidados do projeto Observando Rios foram adolescentes, futuros alunos do curso de meio ambiente do Instituto Federal de Alagoas, IFAL. Durante a prática, foi discutida a problemática da poluição do rio e todas as questões relacionadas. “Durante a ação, discutimos os objetivos do monitoramento de cada parâmetro aferido neste protocolo (temperatura, pH, turbidez, nitrato, nitrito) e suas origens. Foi bem triste porque a gente tinha acabado de saber do rompimento e estávamos com muito medo pelo que poderia acontecer ao Rio São Francisco”, conta Buia.

A foz do Rio São Francisco é uma das principais áreas de pesca de camarão do Brasil. A maior frota de pesca de arrasto de camarão está concentrada na região conhecida como Pontal do Peba. “Ao todo, são quase 120 embarcações engajadas na pesca do camarão. Além disso, tem o turismo, a pesca esportiva e o mero inserido aí também. É muito preocupante imaginar que há ainda o risco deste material alcançar o São Francisco”, lamenta o professor.

O Projeto Meros do Brasil se solidariza com povo de Minas Gerais, as famílias das vítimas e toda biodiversidade que foi e, inevitavelmente, ainda será impactada por mais esta tragédia ambiental.

 

Para os atingidos, a OAB de Minas Gerais lançou esta semana uma cartilha com orientações sobre direitos dos atingidos pela barragem. Veja aqui.

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