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Resenha: Digimon Adventure

Fonte: Animecote em 22/09/2018
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Por Escritora Otaku


Em patamares da mais pura nostalgia, este anime está equiparado com o que “Pokémon” e “Dragon Ball Z” foram para nós, brasileiros e estou inclusa, por ter acompanhado este início. Portanto, nada mais justo que após as resenhas dos monstrinhos de bolso e da saga de Goku e companhia, eu dedique espaço para Tai e seus amigos. Falo isso porque me apeguei a esta primeira série da franquia, mesmo tendo passado tanto tempo e não me importei nada com as comparações com as aventuras de Ash e Pikachu, porque não dava tanta pompa por cima - mas, é inevitável por algumas semelhanças, mais ainda se levar em conta que foi a resposta do estúdio contra eles.


A primeira temporada é a mais lembrada por diversos motivos e mesmo tendo feito o papel de apresentar esta franquia que resiste ano após ano, podemos dizer que tem sua parcela de culpa em curtir animes com criaturas ou seres colecionáveis. Minha memória é mais afetiva, ciente de suas falhas e execução, sendo franca de coração. Quanto a ideia de digimon, ela é cheia de possibilidades e desta leva inicial, meus favoritos no grupo de digiescolhidos fica para Patamon e Tailmon como seus donos, mais ao primeiro; dos que aparecem, Leomon mostrou uma força e coragem que raramente vejo em personagens monstruosos - só é uma pena a maneira que o tratam na franquia, porque, se tiver prestado atenção, não sai coisa boa para o lado do digimon leonino.


Enfim, por gostar de escrever histórias, tenho em torno de sete fanfics desta franquia, sendo três continuações diretas das animações e quatro que pegam conceitos já usados ou não destas, além de fanarts dos personagens das quatro primeiras animações com os quais me identifico. Isso é ou não minha paixão por estas criaturas digitais? Bem, vou falar das continuativas nas resenhas que vierem depois desta, então, vamos explorar o Digimundo, pegar nossos digivices e seus parceiros digimon nesta primeira de tantas aventuras...

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Ano: 1999

Diretor: Hiroyuki Kakudou

Estúdio: Toei Animation

Episódios: 54

Gênero: Aventura / Comédia / Drama / Fantasia

De onde saiu: Brinquedo, bichinho virtual



Desde que “Pokémon” entrou no radar, seja pelos seus games, no anime e outras mídias, a concorrência quanto a histórias de criaturas colecionáveis tem ficado cada vez mais comum em terras nipônicas. Umas se estabeleceram no mercado, outras ficaram somente em sua primeira e derradeira tentativa, algumas usam alguns elementos que os monstrinhos de bolso trouxeram e perpetua até hoje. O que deve deixar claro é o quanto é comum ir numa fórmula certa que rende e ver os seus resultados, uns indo bem e outros a cair no limbo do esquecimento.


Ninguém pode negar o legado que “Pokémon” nos deu; ao contrário, analisando criticamente os animes que seguiram sua fórmula, podemos ver possibilidades positivas e negativas. E com toda certeza que a pessoa pode não curtir o Pikachu e companhia, contudo, sempre há algum anime neste estilo que tenha sua identificação e quem sabe, querer que tenha vida longa. Entre tantas cópias e novas ideias, temos uma franquia que tem dado seu sopro de vida desde o finalzinho dos anos 90, com suas séries, games, quadrinhos, brinquedos e afins. E seu primeiro anime é o que botou em tela uma aventura das mais complexas, em partes, aos que pesquisam sua vasta história e mitologia até o momento, dando as diretrizes das demais temporadas e a sua identidade, mesmo sendo taxado de “cópia” de “Pokémon”.

As origens que trouxeram “Digimon” ao público são bem no estilo se está vendendo e rende, vamos correr atrás do lucro e ganhar uma grana em cima. Parte da base dos monstrinhos digitais veio de um brinquedo deveras conhecido, o tamagochi (bichinho virtual) que teve seus momentos de glória nos anos 90, incluindo nosso Brasil; sua fabricante, para alcançar o público masculino infantil, projetou um novo bichinho virtual, o “Virtual Pet Digimon” que além das atividades já postas no brinquedo (cuidar, tratar do bichinho) tinha a função de batalhar com outros brinquedos desta leva, nada diferente de quem joga os games de “Pokémon”. E vale ressaltar que esta foi a ideia do fabricante do brinquedo para conquistar mais público, nada de novo no mercado competitivo que vivemos. E não, nada de dizer quem teve a ideia primeiro, apenas que este foi o início de tudo que sabemos a respeito de “Digimon”, o resto é história!

“Digimon” segue como uma das diversas franquias que conseguiu se segurar com o tempo - claro que, para um público mais restrito e a verdade é que a nossa memória fique mais em sua primeira série de TV. Isso acontece porque foram os esforços dos envolvidos e a um marcante elenco de personagens e situações – nada anormal, basta ver que boa parte das franquias ou sagas, o começo costuma marcar mais do que o que veio depois –, mesmo com falhas, furos de roteiros e outras características que estamos cansados de ficar reclamando. Até o momento desta resenha, a franquia rendeu sete animes de TV, especiais, uma série de filmes e Dramas CD; na cronologia aos leigos, fica assim a lista: “Digimon” (1999); “Digimon 02” (2000), continuação da primeira animação; “Digimon Tamers” (2001); “Digimon Frontier” (2002); "Digimon Savers” (2006); “Digimon Xros Wars” (2010); “Digimon Adventure Tri” (2015 a 2018), série de seis filmes que continua os acontecimentos das duas primeiras séries, mais pendente ao primeiro anime; e “Digimon Universe: Appli Monsters” (2016) que é um spin-off deste universo. Também temos mangás e games para diferentes plataformas, destaque para os games da linha “Digimon World” e suas sequências ou similares; fora outros produtos para manter em evidência.

Uma franquia com tantas possibilidades, ao ver a história dos animes e dos filmes - uma pena que quanto a sua mitologia, fique devendo demais. Os mais atentos, aqueles que curtem esta trajetória, sabem muito bem que é um trabalho hercúleo botar nos eixos tantos detalhes sobre os pormenores dos monstrinhos digitais. E não estamos brincando a respeito, porque é mesmo complexo demais e o que temos já registrado de forma oficial, é apenas a pontinha desta vastidão.


Vamos ao contexto da primeira série, aquela que definiu boa parte dos rumos da mesma e ao conceito de digimon que estamos habituados. A história ocorre durante as férias de verão, mês de agosto, onde vemos sete crianças em um acampamento quando são enviadas para um mundo estranho e recepcionados pelos digimon, criaturas provenientes do Digimundo, que aguardavam suas chegadas. Ao longo da história, eles descobrem seu papel, o de proteger aquele mundo, explorando e enfrentando aqueles que querem causar mal, seja ali, seja na Terra. O grupo principal ganha a alcunha de digiescolhidos e é composto pelos seguintes personagens e seus parceiros digimon: Tai e Agumon, Matt e Gabumon, Sora e Biyomon, Izzy e Tentomon, Mimi e Palmon, Joe e Gomamon, T.K e Patamon; mais adiante, entram Kari e Tailmon. Uma trajetória que os leva a aprender a encontrar seu espaço, uma jornada de amadurecimento e crescimento aos digiescolhidos, como de seus parceiros digimon.


E para enfrentar os perigos, os digimon que acompanham são capazes de digievoluir, entrando aqui um dos conceitos padrão e mais clássico da franquia. Cada digimon possui uma ou mais linhas evolutivas, intituladas digievoluções e divididas em cinco níveis: in training (em treinamento), rookie (estreante ou criança), champion (campeão), ultimate (perfeição) e mega. Nem todos os digimon tem esta linha completa, claro que, por aqui todos os que são parceiros dos digiescolhidos a possuem, sendo ativas da perfeição para cima inicialmente com o uso dos Brasões da Virtude, outro conceito vindo daqui - são símbolos que representam características presentes dos parceiros humanos, na ordem dada dos personagens acima, Coragem/Amizade/Amor/Sabedoria/Sinceridade/Confiança/Esperança/Luz. Ainda há o item usado para ativar estas evoluções, os digivices que ao longo da franquia ganha novas funções e formatos, também marca registrada das suas tramas.


Portanto, fora ser uma jornada aos seus parceiros humanos, seus parceiros digimon passam por um processo similar e em suas formas evoluídas conseguem encarar oponentes que antes era mais complicados de se lutar. Quanto ao seu uso em sua primeira investida, até que foi bem apresentada e dava momentos de emoção quando era mostrada; sobre suas linhas evolutivas, apenas as de Agumon e Gabumon foram até o último nível, as demais teriam espaço melhor em “Digimon Adventure Tri” e em aparições relâmpagos nas animações seguintes e nos games.


A base central de tudo vem daí, sendo reproduzida em maior ou menor grau em suas séries consequentes - em mídias como games e quadrinhos está presente, um conceito que dá uma identidade para toda a franquia que conhecemos. Verdade que outras linhas evolutivas vieram após, no entanto, a principal é a citada acima e regra básica da série.


Indo para a repercussão geral, “Digimon” foi um sucesso dentro e fora do Japão, senão, nem estaríamos falando sobre; suas animações seguintes mantiveram seu patamar, umas de forma mais evidentes do que outras e sim, tem espaço garantido em sua terra natal. A respeito de sua produção, a Toei Animation fez apenas o padrão, nada que seja único ou bom, porém passável; um bom roteiro que introduz os conceitos chaves e personagens; momentos memoráveis, alegres e tristes em seu andamento; elenco de protagonistas bem representados, com seus clichês e que funciona no universo apresentado. Vale destacar duas músicas desta animação, sua primeira abertura e a música usada para o momento da digievolução, marcantes e ao mesmo tempo, impactantes: “Butter-Fly” marca o início da parceria da franquia nos animes com o cantor Koji Wada, que cantou as aberturas das séries até “Digimon Adventure Tri”, seu último trabalho antes de falecer (2016) - ela tem um tom de pura nostalgia e é uma das músicas de animes mais lembradas para os que acompanharam ou não a franquia em si; a outra é a “Brave Heart”, cantada por Ayumi Miyazaki, cuja melodia é facilmente reconhecível e bota o público na expectativa quando é tocada. Ambas já tiveram versões cantadas de diferentes cantores e bandas, até releituras e versões de fandubs que pegam o ritmo e estilo destas em português brasileiro.


Falando do Brasil, o anime portou nos anos 2000 com um propósito: tentar desbancar o sucesso estrondoso que “Pokémon” fazia por aqui e convenhamos, o anime veio justamente para isso, quer aceitam ou não. Vindo de maneira privilegiada, o anime foi exibido na Rede Globo e na Fox Kids, as três animações seguintes vieram neste meio; o anime teve sucesso garantido e rendeu a eterna discussão de quem era melhor, eles ou os monstrinhos de bolso. E no lado deles e de “Dragon Ball Z” veio uma enxurrada de animes que pipocavam nos canais abertos e de assinatura da época. Quem conviveu estes tempos, pode-se sentir honrado em ter feito parte disto, recordações que não voltam mais.


Sobre a dublagem brasileira, esta veio na mítica e memorável Herbert Hichers do Rio de Janeiro, responsável pela dublagem desta e das duas séries seguintes. Houve uma mescla bem bacana de dubladores novatos e veteranos ao longo da animação, tendo uns que ficaram mais conhecidos, outros nem tanto. Do grupo de digiescolhidos temos os seguintes dubladores envolvidos: Luiz Sérgio (Tai), Paulo Vignolo (Matt), Priscila Amorim(Sora), Rodrigo Antas (Izzy), Érika Menezes (Mimi), Hermes Baroli (Joe), Caio César (T.K) e Indiane Christiane (Kari), que também estiveram na dublagem de “Digimon 02” e caso lembrem de trazer “Digimon Adventure Tri” dublado, a maior ausência ficaria no caso da voz do T.K, cujo dublador faleceu de forma trágica há algum tempo (2015). Entre seus parceiros digimon temos de destacar Manolo Rey(Agumon), Fernanda Barone (Palmon) e Miriam Ficher (Patamon) de vozes mais conhecidas, fora o elenco que trouxe vida aos monstrinhos digitais nesta série inicial da franquia.


Para primeira animação, a versão brasileira é bem diversificada e memorável aos que puderam acompanhar; e sim, quem viu em sua versão original, vale o mesmo sentimento. E temos de falar da versão brasileirada abertura, uma completa vergonha alheia cantada pela Angélica; ao menos, sabemos que a original é bem mais sensato aos nossos ouvidos e nos animes seguintes, ficou mais de boa para escutar em nosso português brasileiro. Uma pérola que muitos que a viram na época de sua exibição gostariam de esquecer, porém não pode...



Fato está que “Digimon” é um anime que traz o início de uma franquia que uns amam, outros não e cuja influência perpetua até hoje. Queira ou não, ela é parte daqueles animes que está na mente dos que viveram estes tempos e aos que tem certa nostalgia pelas sua história e personagens. Os animes seguintes, aproveitam parte de sua fórmula inicial e tentam botar nas telas o valor dos monstrinhos digitais ao público, sendo esta uma história que não será esquecida pelos mesmos.


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