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Resenha: Bleach

Fonte: Animecote em 30/04/2018
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Por Escritora Otaku

Quando menos se pensava, resolveram encerrar a série. Ao menos foram bons anos acompanhando cada passo que Ichigo e companhia tiveram de passar, e seja a adaptação dos arcos do mangá ou nos fillers, a minha experiência de ver um shounen de batalha não foi simplesmente de toda em vão.


Minha história com “Bleach” começa quando um amigo meu me passou a série pra assistir e antes de perceber, estava amarrada ao anime e daí não parei mais: vi tecnicamente tudo, o que inclui os seus arcos fillers e os quatro filmes. Sei que tem gente que diz que depois daquela fase fantástica, “Bleach” decaiu e não posso discordar, mas, temos que lembrar que as melhores histórias têm seus momentos ruins. Digo com sinceridade: amo a série, amo as aberturas, seu elenco de vozes e principalmente, por ser um dos poucos shounen de batalha que me conquistou. E por tantos fatores, é um dos animes desse estilo que gostei, ficando ao lado de outros três, sendo estes “Dragon Ball Z”; “Shinjou Saikyou no Deshi Kenichi” e “Ushio to Tora”. Só não foi de primeira, pra aviso prévio...


Ao menos, espero que façam um dia a fase final do mangá e quem sabe, encerrar esta história que muitos como eu e você puderam acompanhar.


Vamos ao que interessa que é a resenha...


*****


Ano: 2004

Diretor: Noriyuki Abe

Estúdio: Studio Pierrot

Episódios: 366

Gênero: Ação / Aventura / Comédia / Sobrenatural

De onde saiu: Mangá, 74 volumes, finalizado



Vamos ao ponto principal: que a Shounen Jump é especialista em shounens de batalha, sendo o tipo de história que o público mais se identifica, até os menos informados sabem disto. Certo que de uns anos pra cá, a revista tem passado por uma reformulação quanto aos seus gêneros, uns tendo mais oportunidades de brilhar, outros a ficarem no limbo e o final de algumas obras de destaque terminarem de forma sensata - fora que por ser bastante popular e comercial, a Jump não perdoa quando as obras perdem potencial ou tem uma péssima recepção do público e de seus editores. Para quem acompanhou ou assistiu “Bakuman.”, dá pra termos uma ideia a respeito disso.

E uma destas séries que sofreu nesse ponto é “Bleach”, que após ter se firmado como um dos pilares da revista, passou por poucas e boas até sua conclusão. Um final muito contestado e a perda da popularidade inicial; nada que outros mangás dentro ou fora da Jump não sigam por este caminho - a questão é que chega um ponto que a obra perde interesse e dificilmente consegue contornar a situação, após seu ápice ou como diz, a tal fase fantástica de um arco apresentado e sua queda.

O mangá teve início em 2001, mas, pra chegar a ser publicado foi um obstáculo: isso porque quando foi analisado, o pessoal da revista achou a série muito parecida com um dos seus mangás, “Yu Yu Hakusho” de Yoshihiro Togashi. Parecido por causa da temática sobrenatural e acharam que não valia a pena publicar algo que a Shounen Jump já tinha. Claro que nem todos eram contra e um dos jurados da época, Akira Toriyama, mangaká de “Dr. Slump” e “Dragon Ball”, mandou uma carta de encorajamento, esperando novos trabalhos de Tite Kubo, o responsável pela história.

A maioria que tivesse um mangá rejeitado rumaria a uma nova empreitada, no entanto, quem espera acaba conseguindo seu objetivo - e realmente Kubo teve esta sorte e a série pode ser publicada, chegando a ser um dos pilares da Shounen Jump ao lado de mangás como “One Piece” e “Naruto”. Certo que hoje em dia, não tem o mesmo valor desta época, mesmo assim, teve forças pra continuar resistindo na grade da revista até que finalmente terminou, em 2016, rendendo uns comentários nada bons, sendo o principal, a pressa que deram para fechar a história.

O mangá veio em terras tupiniquins em 2006 e finalizado em 2017 pela Panini e o anime começou em 2004, durando oito anos de exibição. No Brasil foi uma das séries mais populares e mais vistas, sendo comum numa porcentagem a maioria conhecer a animação, mangá ou ambos.

Nosso personagem principal, Kurosaki Ichigo – e sem piadinhas do nome dele, está bem? – tem uma vida comum a de todos os jovens de sua idade. Mora com o pai (extremamente cômico e médico) e suas duas irmãs mais novas (a mais velha tem personalidade parecida com o irmão e é boa em futebol, enquanto a mais nova banca a cozinheira da casa e possui um jeitinho meigo de ser),e iam levando bem suas vidinhas. Ichigo nunca foi um rapaz convencional, pois se encaixa no perfil meio rebelde, principalmente por conta do olhar e pelos cabelos alaranjados. Só isso convence, porque chama a atenção e consegue arranjar briga sem esforço - e junta isso com uma lembrança nada boa do passado, que envolve a mãe dele, que morreu na sua frente, e pronto! Temos uma pessoa que apesar de mostrar uma cara de poucos amigos, se preocupa e muito com aqueles ao seu redor.

As coisas mudam quando aparece uma shinigami, que percebe um potencial naquele rapaz – ele via a alma de pessoas mortas - e acaba se envolvendo, quando as irmãs deste são atacadas por uma criatura, conhecida como hollow; a shinigami se fere e para evitar uma tragédia maior, transfere seus poderes para Ichigo, que se torna um shinigami e consegue deter o hollow e salvar suas irmãs. Finalmente somos apresentados a shinigami: seu nome é Kuchiki Rukia, que veio à cidade para cumprir sua tarefa de mandar as almas para o além e deter os hollows. Por estar incapacidade de seguir seu dever, passa a responsabilidade para Ichigo e assim, a história prossegue...


Tudo bem, convenhamos: se “Bleach” possui um começo muito simples e sem atrativos, a coisa esquenta quando a Soul Society, local onde vivem os shinigamis, definem que Rukia é uma traidora e a levam para ser julgada. Aí sim, a série passa a ter mais atrativos, quando Ichigo decide ir pra lá e resgatar a jovem: neste ponto, a história mostra a que veio e define de vez todo o contexto dali por diante.

A série segue todas as características que um shounen de batalha revela: lutas aos montes, personagens mostrando suas habilidades e evoluções de suas técnicas de combate, o valor da amizade e por aí vai. Por isso, vamos ver suas qualidades e seus defeitos, afinal, saber o que faz esta ou aquela série ser o que é pra quem acompanha.

O traço da obra possui um diferencial dos shounens de batalha, por ser bem detalhista – o normal é um traço “mais simples” nos personagens – como também o figurino, que define bem a maneira de vestir de cada personagem da animação ou no mangá, praticamente como se o mangaká tivesse visto vários desfiles de moda e prestado atenção na forma de vestir dos jovens, dando um toque juvenil para sua história. Pasmem: é tudo verdade, basta ver o figurino de qualquer personagem da série e sacar que foi uma preocupação do criador pra dar certa originalidade. Fora que os nomes também passaram pelo mesmo processo, tendo os de japoneses misturados com nomes em inglês e até mesmo em espanhol e português.

A quantidade de personagens é típica dos shounens de batalha, e ao menos o elenco feminino é um pouco mais valorizado - bem sabem que personagens femininas em shounens ocupam apenas papéis de fundo na maioria dos casos -, tendo vários personagens do elenco da série que entram numa lista de favoritos fácil, fácil... De todos, os que aparecem ter mais destaque são os que fazem parte da Soul Society, por terem personalidades e estilos dos mais variados.

As lutas são um dos grandes atrativos de “Bleach”, e não são apenas as que envolvem o protagonista; para sermos francos, as lutas ocorrem de forma simultânea, ou seja, quando acontece uma, outras vão desencadeando e assim, não torna cansativo o embate principal. Sim, tem a luta principal, mas, não significa que as outras sejam de pouca importância.

Já os defeitos...

O protagonista, para começar. Ichigo não tem o encaixe convencional dos personagens que atuam na maioria dos shounens de batalha: não é simpático, nem inocente e tampouco tem uma meta de vida. Junte isso ao fato de que durante a série inteira ele usa apenas um golpe contra seus oponentes. Isso se torna meio cansativo e chato, afinal, os outros personagens têm muito mais personalidade que ele mesmo. Fora que desde o começo, Ichigo esteja bastante desenvolvido psicologicamente, tendo somente pequenas mudanças ao longo da série.

Outro problema que “Bleach” teve está relacionado ao próprio público, que criou expectativas demais e se decepcionou com o andamento da série. O que fazer depois de uma fase fantástica e se manter no interesse da história? Foi o que aconteceu após o “Arco Soul Society” – 2ª e 3ª temporadas do anime - que surpreendeu tanto o público que queriam mais. Não dava pra continuar com aquele ritmo, nem mesmo os mangás e animes, afinal, o máximo é manter o nível da história e ponto final.


Ser exigente em séries com clichês é pedir demais. Por isso, depois deste arco, muitos abandonaram ela; só quem não teve este problema pode acompanhar o andamento e ver no que deu. Os arcos seguintes mantiveram a essência apresentada na série e sim, houve mesmo um arco fraco, apresentado na última temporada da animação.



Isto é mais comum do que imaginam, então, tratem de parar de criar grandes expectativas ao assistir ou ler algo, porque a sensação de decepção vai ser pior.

Em termos de adaptação, o anime foi ágil em seguir o roteiro do mangá e por isso, passou por episódios e temporadas fillers; muitos querem que suas séries favoritas não tenham tais episódios, no entanto, elas existem e não podemos simplesmente ignorar. No caso de “Bleach” estes episódios encaixam em duas categorias: as temporadas que possuem começo, meio e fim e de certa forma, influenciaram no contexto da animação; e os que têm enfoque cômico e normalmente coloca os personagens em situações constrangedoras. Fillers são ruins? A maioria sim, só não é caso perdido, como muitos pensam, uns podem ser tão bacanas quanto o roteiro original.

Em termos de produção, o estúdio Pierrot pode mostrar a que veio: são poucas séries longas que mantém o traço e seguem o roteiro original, fora que a dublagem trouxe nomes que atuam em várias animações japonesas consagradas ou não; pode-se dizer que seguiram o espírito do enredo e deixaram “Bleach” mostrar suas melhores e piores características. A série teve em torno de quatro filmes e alguns OVAs, que seguem o contexto do enredo e até revelam informações sobre alguns personagens.

A trilha sonora usada para as cenas é bastante convencional; agora dizer sobre as aberturas e encerramentos... aí vemos outra coisa, pois nesta parte, temos de elogiar o estúdio com as escolhas dos cantores e bandas envolvidas. Muitos destes são conhecidos do público e trazem a estética juvenil da animação: ao menos, algumas entram numa lista de animesongs sem esforço. Ou já não curtiu uma destas músicas no seu dia a dia? Os clips usados também seguem esta tendência, revelando cada fase passada por Ichigo e companhia. Irônico que tenha sido bem produzida, porque em outros shounens que o estúdio pegou... o trabalho chega a ser catastrófico.

Consequentemente fica a pergunta: vale ou não a pena assistir “Bleach”?


Se for do tipo que curte shounens de batalha, vai se sentir em casa; se for do tipo que curte personagens marcantes e clichês, também está dentro; e sim, quem não é do tipo que assiste fillers, pode pegar apenas os arcos adaptados do mangá sem problemas. E fazer torcida organizada para que o último arco da obra original ganhe uma versão animada, afinal, sonhar não custa nada.




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