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Os filmes de Dragon Ball Z

Fonte: Elfen Lied Brasil em 24/06/2015
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Saudações do Crítico Nippon!

Como introdução, sugiro que leiam meus textos sobre Dragon Ball Z: Saga do Freeza - a melhor; Comédia obrigatória - DBZ Abridged + RAPs do Flick; Crítico Nippon no CabulosoCast #2. Tem também especiais para o facebook aqui e aquiO anime mais popular de todos os tempos tem inúmeros filmes. Desde a série Dragon Ball, passando pelo Z e GT, incluindo especiais e OVAs. Assim, não é de se espantar que muita coisa ruim tenha saído disso. Não foram feitos pelo mestre Akira, portanto, não há do que culpá-lo (Ah sim, confesso que não gosto dos filmes de Cavaleiros do Zodíaco ou mesmo Naruto, e gosto muito desses dois animes). Contudo, os últimos dois filmes (A Batalha dos Deuses e O Renascimento de F) me fizeram perceber que naquela época não estávamos tão ruim quanto pensávamos. E arrisco dizer que praticamente todas as lutas dos 13 filmes da série “Z” eram mais inspiradas que as dos dois atuais. Não gosto do Cooler, dos novos Andróides ou mesmo de Broly, mas é inegável a qualidade de animação e coreografias de batalha. Sendo assim, esta crítica irá abordar quatro filmes no total: os dois mais atuais (que servem de ponte para o futuro novo anime Dragon Ball Super) e os dois antigos que eu mais gosto: O Golpe do Dragão e o especial O Futuro de Trunks (esse sim, autoria de Akira).




A Batalha dos Deuses se passa após o final de Majin Boo, com o despertar do deus Bills, o destruidor. A trama parece investir no clima de comédia mais do que seus antecessores, e não sabe criar suspense e urgência mesmo com Goku Super Saiyajin 3 sendo derrotado no primeiro ato. É impossível sentir a gravidade da situação se os demais personagens não sentem, e esse é o erro mais grave desses filmes atuais. Vegeta chega a dançar para entreter Bills. Oh céus. Goten e Trunks sequer fazem a fusão nível 3. Nada de Gohan. Em todos os filmes passados víamos os esforços de cada um, seguindo a lógica do próprio anime, cujos vilões sempre precisaram do esforço de todos para serem derrotados.


Nunca tememos pelos heróis em Batalha dos Deuses, como temíamos, por exemplo, com a Nº 18 ao encarar Broly. A derrota de Goku 3 foi rápida demais, e não houve nenhuma alternativa plausível para virar o jogo (exceto uma nova transformação, que só serviu para um filme, algo que jamais ocorreu nos antigos). Sabíamos que Cell era mais forte que os guerreiros Z, por exemplo, mas isso nunca nos impediu de achar que Goku teria uma carta na manga ou estratégia e deixar a luta acirrada. O mesmo com Majin Boo, que já havia derrotado Gohan e, assim mesmo, torcíamos e vibrávamos inocentemente quando Vegeta lutou contra sua versão gorda. E essa proeza o filme jamais alcança. Nem mesmo a transformação nova e absurdamente desinteressante (não mudou quase nada) melhora as coisas. Bills continua um vilão inocente e ninguém parece estar correndo real risco de vida. A direção do combate é amadora e sem qualquer tipo de coreografia. E o fato da Terra continuar intacta é simplesmente ridículo e contribui para minimizar a gravidade de tudo. 



E O Renascimento de Freeza é ainda pior. Com um design de produção extremamente desinteressante, nada se destaca em termos de cores ou de desenho. Não há ambientação ou clima de tensão, e se levarmos em conta que Freeza era mais fraco que um SSJ, definitivamente ele estava precisando de uma ajudinha nesse sentido. A trama é, hum, renascem Freeza, ele luta contra Goku com três transformações avançadas e, bem, morre. Desculpa pelo spoiler, mas parece até uma piada. E esse é o primeiro filme que achei que os diálogos estavam ultrapassados. Cada pausa do filme era infestada deles, tão bobos e inúteis. Diferente do anime em que muitas pausas exploravam o ambiente, o clima e a trilha sonora fenomenal. Neste filme, não. Muitos falam que Dragon Ball Z tem lutas infinitas e diálogos idem, o que é uma grande besteira que só quem nunca assistiu ou quem assistiu só com 10 anos de idade poderia dizer. Além do mais, esquecem dos Narutos pulando em galhos infinitamente, e dos Cavaleiros subindo as 12 Casas em sabe-se lá quantos episódios, que se passam em poucas horas. O importante é explorar isso bem feito, algo que todos esses animes conseguem.



Os combates novamente são absurdamente fracos e sem coreografia, deixando de fora inúmeros guerreiros Z. Apostando em Bulma e Jaco (e Tenshinhan! Cof) que são extremamente aborrecidos. Nenhuma batalha funciona, nem o treino de Vegeta e Goku com Whis, nem os heróis contra centenas de capangas do Freeza, e nem a luta final que sequer pareceu difícil. Apostando em mais uma transformação exclusiva de filme (!!!!!!!!!!!!!), O Renascimento de F peca por não conseguir nos fazer compreender, hum, nada. A força do Freeza equivale quanto? SSJ 2? SSJ 3? E a nova versão do Super Saiyajin Deus (não usar a versão do Batalha dos Deuses é imperdoável) vale quanto? É mais forte que o Super Saiyajin 3? Quer dizer que Vegeta já alcançou essa transformação? E por que ainda dizem que ele está abaixo de Goku então? E por que eles não ficam mais SSJ loiros? Aconteceu algo parecido com Gohan na saga Boo devido ao treino com o Supremo Kaioh, mas eventualmente ficou claro que ele era praticamente um nível 3. E agora, esse monte de transformação nova equivale ao quê? Goku de cabelo preto equivale ao Gohan de cabelo preto no Boo, é assim? Não? Tudo isso jamais fica claro, o que é um absurdo.


Assim, passamos agora para a dupla de filmes antecessores. Começarei com o Futuro de Trunks, que inicia com... a morte de praticamente todos os guerreiros Z, incluindo Goku (agora vai tentar explicar isso pros eternos “Goku sempre vence todos! Lutas duram pra sempre! É só risquinhos!”, tsc, tsc). E só com essa introdução o filme já se difere completamente dos dois anteriores que comentei. A Terra enfrenta uma verdadeira crise com os Andróides 17 e 18, e Gohan e Trunks não conseguem ficar mais fortes. A Corporação Cápsula está decaindo e claramente sentimos o clima melancólico e apocalíptico do filme. O perigo é sério, real, e isso reflete em nossas expectativas.



E como todas as boas de lutas de Dragon Ball Z, mesmo sabendo que os vilões são mais fortes, sempre temos a esperança de que os heróis consigam algo (mesmo que raramente consigam). Assim, a primeira batalha no parque de diversões é interessante e urgente. Diferente de Batalha dos Deuses, por exemplo, sabemos que a luta precisará ter um resultado para um dos lados, e que os inimigos não ficarão sentados esperando, como Bills. Assim, Gohan perde o braço, adicionando mais um item pra lista de clima e ambientação sem esperança. E por quase terem morrido, Gohan deixa Trunks inconsciente em sua segunda tentativa solitária. Que o levará a morte e fará Trunks ficar irado e se transformar em SSJ pela primeira vez (o que é brilhante). Que o levará a treinar por meses e ter uma última tentativa e luta final com os androides. Ou seja, percebam que o filme tem uma narrativa, uma coisa leva a outra naturalmente, uma trama com ligação entre os acontecimentos e consequências. Essa é a beleza deste filme.











A animação é impecável, explorando o pôr do sol diversas vezes e a chuva na morte de Gohan, criando quadros belíssimos. Não há um único momento em que os personagens lutam como risquinhos ao fundo (mostra isso lá pro seu amigo que parece uma vitrola quebrada com esse mantra)! Destaque para a transformação de Trunks na chuva e Gohan sem braço colocando a semente dos deuses na boca de seu aprendiz.




















E finalmente chegamos àquele que, arrisco dizer, é o mais belo em termos de desenho e cores. Iniciando com uma perseguição policial, como se tornou comum na série, ela por si só já é anos luz melhor que a do Renascimento de Freeza. Os cortes, a riqueza nos movimentos do Grande Saiyaman, as dobras das roupas dos personagens. A paleta de cores do filme, aliás, é soberba. Oscilando entre cores quentes e frias, a metrópole de cenário para os ataques ganha tons de roxo e contornos místicos. Desta maneira, a direção de arte cria contrastes inteligentes como ao contrapor o verde da roupa de Gohan ao constante fogo durante suas lutas. E em certo momento, vemos Gotenks com um impecável cabelo amarelo em um céu roxo complementar, formando um belíssimo quadro. Esse jogo de cores harmoniosas, aliás, acontecerá ao longo de todo o filme.



O filme explora muito bem um conceito pouco explorado em Dragon Ball Z: um monstro gigante. E por mais tolo que possa parecer, seu mérito é justamente torná-lo genuinamente ameaçador. Os animadores, aliás, acertaram em cheio ao fazer seus movimentos lentos e pesados, tornando-o mais plausível e soando resistente aos golpes dos heróis. Assim, a solução que encontraram para fazê-lo “ágil” é um quase teletransporte em que vira fumaça e reaparece (Noturno?). A animação é um verdadeiro presente (novamente, sem nenhuma sequência de “risquinhos lutando ao longe”. E eu ainda me prezo a repetir). Em especial, os voos e rasantes de Gohan, no primeiro confronto com “as pernas do monstro”, são absolutamente sensacionais. A fluidez desses movimentos deixaria grande parte dos animes atuais no chinelo. A dimensão espacial dos combates, a câmera na altura da visão de heróis, tudo é feito com perfeição e clareza. 




O Golpe do Dragão investe nos personagens, coisa que os dois filmes recentes desaprenderam, pois ninguém se destaca neles. E é sensacional justificar o interesse de Trunks por Tapion (sabemos que ele ganhará a espada eventualmente, mas isso sequer gera interessa no garoto): “Ele sempre me disse que tinha inveja do Goten por ter um irmão mais velho”. E há um momento particularmente inspirado em que os dois estão no quarto conversando e um robô de brinquedo quebra ao meio, separando o tronco das pernas. Ali estamos vendo o crescimento de Trunks, aprendendo sobre o passado de Tapion e temos uma referência visual (sem diálogos, Renascimento de F!!) da preocupação que se passa na mente de Tapion. Assim como os momentos de confraternização entre Bulma e Videl enriquecem as duas, que ganharam pontas medíocres nas obras recentes. 



E o longa ainda nos presenteia com novas perspectivas para vermos o que já vimos aos montes, como a fusão sendo feita no ar e com a câmera girando entre os dois. E desfazendo-a enquanto quicam no chão derrotados. Aliás, as cenas de ação são incomparáveis com a dos filmes recentes, pois eram feitas com cortes inteligentes e preciosismo. Algo que saiu do próprio anime, em que havia um padrão de mostrar certas lutas. Um plano detalhe no momento do impacto, seguido de um plano aberto para mostrar a movimentação dos personagens, e novamente plano detalhe de algum contra-ataque ou continuação da luta. Isso colocava força e empolgação nas batalhas, tornando-as muito mais do que risquinhos lutando ao fundo inifnitamente.















 







Desta forma, é no mínimo preocupante que a nova fase de Dragon Ball (Super) tenha como ponto de partida os filmes atuais, que nada tem do antigo espírito da série. Serão usados os Super Saiyajins loiros? O SSJ ruivo? Ou o SSJ azul-colgate-pixels? Será que poderemos olhar para trás como esses dois exemplares sendo apenas erros isolados? Espero que inúmeras questões sejam esclarecidas de forma coerente e simples, como sempre foi. Akira Toriyama não merece detonar o seu legado desta maneira. Não pode. Não deve.


(Para mais dos meus textos, é só ir no menu 'Crítico Nippon'.)
Twitter: @PedroSEkman 


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